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Identificando o potencial de inovação dos pesquisadores a partir dos dados do CV Lattes

Com as rápidas e constantes transformações na era do conhecimento, cada vez mais se faz necessário o uso de tecnologias e metodologias que possibilitem que o conhecimento possa ser utilizado de forma estratégica para a tomada de decisões nas organizações.

Neste contexto o pesquisador da UTFPR, Silvestre Labiak Jr., doutor em Engenharia e Gestão do Conhecimento, no artigo “Indicadores Indiretos de Inovação”, que conta com a coautoria do Dr. Roberto Carlos dos Santos Pacheco, do MSc. Marcos Luiz Marchezan e da MSc. Viviane Schneider, defende que a inovação é um “elemento para o desenvolvimento competitivo das nações, que exige estudos para quantificar e mapear o potencial de ciência, tecnologia e inovação (CT&I) dos países”.

Como esta quantificação é complexa e requer aferições em muitas dimensões variáveis, os autores do artigo mencionam acreditar que até o momento “nenhum grupo ideal de variáveis de CT&I foi desenvolvido” e que “em muitos casos, indicadores multidimensionais têm sido utilizados, porém ainda assim são contestados por muitos pesquisadores”.

O trabalho dos autores foca na dimensão de inovação relacionada com o capital humano / pesquisador (ativo de conhecimento), envolvido no seu desenvolvimento de criação, uma vez que se considera que os recursos humanos são fundamentais para o desenvolvimento do processo de pesquisa, desenvolvimento e inovação (PD&I).

Conforme citam os pesquisadores, o estudo apresentado procura “identificar quais os ativos de conhecimento das universidades, institutos federais e centros de pesquisa brasileiras que possuem maior potencial para a evolução de inovações, de forma a contribuir para a diminuição da complexidade de análise do potencial de inovação nas instituições, principalmente na comparação entre múltiplos indicadores de inovação que necessitam de estatísticas recorrentemente divergentes”.

Os deixam claro que o não pretendem “desenvolver um modelo que parametrize a CT&I brasileira, mas sim estabelecer parâmetros que possam contribuir na identificação do capital humano (ativos de conhecimento) com maior potencial inovador se comparado com seus pares, a partir de dados auto declaráveis, pertencentes a base comum do Currículo Lattes”.

Desta forma, argumentam os autores, que a introdução destes indicadores procura “facilitar a estruturação de redes de ativos de conhecimento com potencial de inovação, que possam ser identificados com o apoio de ferramentas/sistemas de engenharia do conhecimento, tais como a plataforma tecnológica Stela Experta®, que possibilita o mapeamento dos ativos de conhecimento das ICTs (Instituições de Ciência e Tecnologia)”.

A proposta do modelo de indicadores do potencial de inovação a partir dos dados do Currículo Lattes

Os indicadores de inovação são, muitas vezes, indiretos, já que eles correspondem a “fenômenos subjacentes, intangíveis e diretamente observáveis” segundo o artigo de Labiak Jr., Pacheco, Marchezan e Schneider.

Na construção do modelo os autores do artigo utilizaram análises estatísticas para definir os pesos relativos aos indicadores, além de comparações com IIG,2014 e o próprio conhecimento da equipe envolvida no desenvolvimento da ferramenta, composta basicamente de indicadores indiretos de inovação baseados no capital humano.

Conforme citado no artigo, diferentemente da PINTEC, que é um questionário, o modelo proposto pelos autores “pretende identificar possíveis potenciais existentes nas ICTs que tenham possibilidade de desenvolver, em cooperação, inovações que possam ser incorporadas pelo mercado”.

Para isso, os autores estabeleceram indicadores multidimensionais que podem, segundo eles, “mensurar, por meio de um modelo indireto, uma representação aproximada dos potenciais de inovação” da organização.

Geralmente, defendem os autores, os indicadores de CT&I individuais não são expressos em termos monetários, mas são medidos em número de patentes, citações de artigos, etc. E a comparação destas “métricas” é dúbia.

No modelo proposto por eles, os indicadores de inovação “possibilitam uma comparação entre pesquisadores de uma mesma ICT, de um mesmo sistema regional de inovação, que pode ser coordenado por uma grande rede nacional, de tal forma que possibilitará identificar os potenciais pesquisadores com maior perfil inovador em cada uma das áreas de atuação”.

Com a aplicação do modelo proposto, argumentam os autores do artigo, “em um dado contexto será possível, por exemplo, identificar um pesquisador de biotecnologia que tenha maior potencial de inovação, que possa trabalhar em rede com outros pesquisadores existentes no sistema regional de inovação com o mesmo potencial de inovação. Esta configuração facilitaria o fluxo de conhecimento entre os pesquisadores, criando uma rede de ativos de conhecimento que, no somatório de suas competências, seria capaz de desenvolver inovações em um prazo mais curto de tempo.”

No modelo proposto pelos autores, foram estabelecidos três pilares de entrada com seus respectivos pesos, a saber: Capital Humano & Pesquisa; Aplicação de Conhecimento Sofisticado; Conhecimento Tecnológico, conforme pode ser observado na tabela a seguir:

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O resultado da aplicação deste modelo é um índice que classifica o pesquisador analisado.

Com base neste modelo e utilizando as informações gerenciadas pela Plataforma Stela Experta® é possível “comparar os pesquisadores da ICT e, assim, potencializar e desenvolver estratégias para a gestão dos ativos de conhecimento existentes na ICT” e que quando aplicada em um sistema regional de inovação, “possibilita a gestão dos ativos de conhecimento, potencializando o desenvolvimento de uma rede integrada de capital humano com potencial inovador”.

Importante observar que o modelo apresentado pelos autores, baseado nos recursos humanos/capital humano, não leva em conta a infraestrutura das ICTs, os valores captados para estruturação de laboratórios ou outros fatores relacionados.

Segundo a análise dos autores deste estudo, talvez a maior vantagem do modelo estabelecido e proposto “seja o fato que o pesquisador não precisa preencher nenhum survey (questionário), nem a instituição precisa desenvolver um novo formulário, pois já encontra disponível a identificação dos principais recursos humanos, com melhores indicadores indiretos de inovação”.

Assim, a análise de potencial de inovação torna-se “uma atividade mais simples, além de possibilitar o desenvolvimento de uma gestão estratégica destes ativos de conhecimento existentes nas ICTs”. Desta forma, argumentam os autores, esta atividade pode tornar-se um procedimento corriqueiro e pode apoiar, com frequência, a análise estratégica feita por agências de inovações, núcleos de inovações ou pró-reitoria correlata.

Uma outra vantagem da aplicação deste modelo citada pelos autores é a “introdução de uma prática sustentável de indução de redes de ativos de conhecimento, que fomentem o fluxo de conhecimento para potencializar a inovação”.

O modelo proposto para os indicadores do potencial de inovação deverá ser implementado em breve na Plataforma Stela Experta®, possibilitando aos tomadores de decisão das ICTs identificar, entre os pesquisadores da sua instituição, os que possuem maior potencial de inovação segundo os fatores apresentados no modelo proposto no artigo e o índice atribuído a cada pesquisador analisado.

 

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