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Confira como os cursos de pós se saíram na última avaliação da Capes

A comunidade acadêmica aguardava com ansiedade os resultados da mais recente avaliação da Capes (Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior). Conforme comentamos em um outro texto aqui no blog, desde 2014 a Capes havia instituído que a avaliação dos cursos de mestrado e doutorado no País seria feita de forma quadrienal.

No dia 20 de setembro de 2017 a Capes divulgou os resultados da avaliação dos programas de pós-graduação stricto sensu em funcionamento no Brasil. É possível conferir na página oficial da Capes os resultados por IES (instituição de ensino superior) dos programas acadêmicos e dos programas profissionais, ou verificar os resultados desses dois tipos de programa por área de avaliação.

A evolução dos programas de pós segundo a avaliação da Capes

A Capes analisou os programas de pós-graduação brasileiros com, pelo menos, um ano de funcionamento. Para chegar nas notas finais, que podem variar de 1 a 7, o órgão governamental levou em conta cinco quesitos: proposta do programa de pós-graduação, corpo docente, corpo discente, produção intelectual e inserção social.

Comparando os números da última avaliação da Capes, divulgada em 2013, com os dados da avaliação de 2017, é possível perceber a evolução e o crescimento dos programas de pós-graduação no País tanto quantitativamente quanto – o que é mais ou tão importante – de forma qualitativa.

De acordo com um resumo apresentado pela própria Capes, o SNPG (Sistema Nacional da Pós-Graduação) cresceu 25% no último quadriênio. Ou seja, o País saiu do patamar de 3.337 cursos de mestrado e doutorado em 2013 para atingir a marca de 4.175 cursos de pós no ano de 2017. Olhando especificamente para os cursos de mestrado profissional, o salto foi ainda mais expressivo: 77% de crescimento na mesma comparação.

Observando apenas o crescimento nas três principais modalidades de pós-graduação, o Brasil acrescentou 505 cursos de mestrado acadêmico (somando um total de 3.398 programas em 2017), 410 cursos de doutorado acadêmico (chegando a 2.202) e 306 programas de mestrado profissional (somando 703) entre os anos de 2013 e 2017.

Os números também apontam, como comentamos antes, a evolução qualitativa do SNPG. Do total de 4.175 programas de pós-graduação vigentes no Brasil em 2017, 67% mantiveram a nota que a avaliação da Capes havia registrado em 2013 e 22% aumentaram a qualidade dos seus programas. Apenas 11% dos cursos reduziram as suas notas.

Algo importante a ser observado também é que os programas que foram abertos recentemente, ou seja, que ainda não formaram turmas completas – mas passaram por todo o período de formação – e que participaram pela primeira vez da avaliação da Capes, geralmente mantêm a nota inicial de recomendação, isto é, as notas 3 ou 4.

Entre todos os programas de pós-graduação existentes no país, quase um a cada três registra nível de excelência nacional ou internacional. A seguir, vamos explicar melhor esses conceitos e números.

De acordo com a avaliação da Capes, 11% dos programas brasileiros de pós conquistaram e/ou mantiveram notas 6 ou 7, desempenho equivalente aos padrões internacionais de excelência. Uma outra parcela, de 18% dos cursos de pós, conquistou e/ou manteve a nota 5, considerada nível de excelência nacional.

Isso quer dizer que apenas os cursos com nota máxima, a nota 7, superam os programas que tem as duas piores avaliações da Capes – 0,22% dos programas do país receberam nota 1 e 2,63% receberam nota 2. A maior parcela dos cursos de pós, 35,33% do total, apresenta o conceito 4. Em seguida aparecem os programas com nota 3, que representam 32,86% do total.

Sobre os programas de excelência, que apresentam qualidade internacional, vale observar ainda a evolução expressiva desse perfil de cursos no País. Em uma década, o Brasil saiu de um patamar de 233 cursos com notas 6 e 7 para, em 2017, chegar ao número de 465 programas com esse nível de excelência – praticamente o dobro, faltando apenas um curso para que o País tivesse registrado crescimento de 100% nos programas com notas 6 e 7.

Avaliação da Capes revela crescimento no número de mestres e doutores

Além do crescimento no número de programas de pós-graduação, a avaliação da Capes revela outras evoluções fundamentais para o SNPG. Enquanto em 2010 o País havia formado 35.965 mestres, 11.210 doutores e 3.236 mestres profissionais, em 2016 esses números passaram para 48.986 mestres, 20.599 doutores e 10.612 mestres profissionais – um crescimento de 59%, 94% e 193%, respectivamente.

A produção técnico-científica, por consequência da evolução no número de programas e de estudantes em cada tipo de pós-graduação, também cresceu no período. De acordo com outro resumo apresentado pela Capes, o número de artigos científicos em periódicos aumentou 89%, e o número de capítulos em livros e de livros publicados cresceu 80% em comparação às entregas nos anos 2010 e 2016.

Todos esses números e dados mostram que os investimentos feitos no País em pós-graduação para a formação de mestres e doutores têm obtido resultados expressivos e levado, pouco a pouco, o Brasil para novos patamares de geração de conhecimento, impactando positivamente também no P&D (Pesquisa & Desenvolvimento) das empresas e instituições públicas e privadas que atuam no Brasil.

Para que servem as notas da avaliação da Capes

O resultado da avaliação da Capes interessa para diferentes perfis que participam do sistema técnico-científico nacional. As notas dadas pela Capes servem de parâmetro para os estudantes que estão procurando o seu aperfeiçoamento, na mesma medida em que contribuem para a tomada de decisão das agências de fomento nacionais e internacionais que devem decidir onde alocar recursos para o avanço da ciência e da tecnologia no Brasil.

A avaliação sobre os resultados obtidos pela Capes também orienta as políticas públicas que visam reduzir as desigualdades regionais, podendo servir de subsídio para docentes planejarem as suas carreiras e avaliarem possíveis parcerias com programas com nível de excelência internacional.

Por tudo isso, vale comentar as áreas de conhecimento que alcançaram o nível de excelência internacional – ou seja, que obtiveram as notas 6 ou 7 segundo a avaliação da Capes.

De acordo com um resumo apresentado pelo órgão governamental, as áreas com maior concentração dessas notas são as de Astronomia/Física (32,6% dos cursos de pós do País atingiram as maiores notas), Ciência Política e Relações Internacionais (33,3%), Ciências Biológicas II (31,6%), Ciências Biológicas III (41,4%), Economia (31%), Engenharias II (40,4%), Engenharias IV (31%), Geociências (31,7%), Matemática/Probabilidade e Estatística (32,3%), Química (34,8%) e Serviço Social (31,6%).

O que esperar para as próximas avaliações

Tão logo encerrou o processo da quadrienal, a Capes já tem comunicado em encontros públicos seu desejo de incorporar melhorias para o próximo ciclo da avaliação. Entre essas estão a análise das diversas sugestões ofertadas à Capes por 12 grupos de trabalho estratégicos, que atuaram entre dezembro de 2015 e julho de 2016.

Esses grupos foram formados por coordenadores de áreas de avaliação, especialistas, técnicos da Capes e representantes do Fórum de Pró-Reitores de Pós-Graduação e CONFAP. Eles analisaram desde os sistemas de informação utilizados na avaliação até a possibilidade de indicadores de risco e impacto da pós-graduação.

Entre as sugestões em análise para Capes estão a inclusão de indicadores de acompanhamento de egressos, a ampliação dos indicadores de avaliação de impacto e melhorias na Plataforma Sucupira.

O fato é que este sistema é dinâmico, cresce a cada ano e é de altíssima complexidade para se avaliar em todas suas dimensões. Sua relevância para o desenvolvimento científico do País é indiscutível, tanto pela produção do conhecimento, como, principalmente, pela formação de profissionais com capacidade de fazer avançar o desenvolvimento socioeconômico brasileiro.

Aos programas e às Instituições de Ensino Superior resta acompanhar estas evoluções, seguir trabalhando na pós-graduação e, claro, pensar, também, em seus próprios sistemas de avaliação, para poder contribuir na evolução constante da avaliação do sistema nacional.

 

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