5 erros comuns ao registrar artigos científicos do Currículo Lattes

Há um círculo virtuoso entre o acesso e a produção de conhecimento científico: resultados de pesquisas devem ser escritos, publicados e referenciados pela comunidade científica para alcançarem legitimidade e, principalmente, subsidiarem novos avanços no conhecimento.

Nesse sentido, é importante que as pesquisas sejam não somente escritas e publicadas, mas, também, corretamente cadastradas em sistemas de informação que vão divulgar estes resultados em sistemas de busca.

Entre os diferentes tipos de publicação (livros, capítulos, trabalhos em eventos etc.), merecem destaque os artigos científicos publicados em periódicos. Além de serem um dos principais instrumentos de divulgação e acesso ao conhecimento científico, os sistemas de avaliação costumam considerar os indicadores de publicações em periódicos entre as principais métricas de avaliação.

 

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No Brasil, por exemplo, o sistema Qualis Periódicos estabelece um índice de qualidade para cada área de avaliação, atribuído pelas respectivas comissões de avaliação, considerando-se o impacto do periódico na produção de conhecimento da área. Nas IES, gestores e coordenadores de pesquisa e pós-graduação conhecem a relevância desses indicadores em seus processos de gestão.

Apesar da relevância da publicação científica, há erros frequentes quando os autores registram seus artigos científicos nos sistemas de informação, particularmente no currículo Lattes. Esses erros dificultam, posteriormente, encontrar essa produção intelectual em sistemas de busca. A seguir vemos 5 erros que causam este tipo de dificuldade e que podem facilmente ser evitados no registro dos currículos.

1. Publicar antes da hora

Expressões como “produtivismo”, “fábrica de salsichas” ou “teoria da cenoura” têm sido utilizadas por críticos da corrida pela produção intelectual acadêmica. De fato, ao contrário do que possa parecer, nem sempre mais e mais registros de produção intelectual significa um currículo melhor.

Um dos fatores que denuncia um possível produtivismo está justamente na escolha do momento de publicar o artigo. O autor deve sempre se perguntar se o conhecimento que ele quer compartilhar está suficientemente maduro para gerar um artigo.

Não raro alunos ou mesmo docentes de pós-graduação, ao se sentirem pressionados por resultados, buscam escrever artigos baseados em trabalhos acadêmicos realizados em disciplinas ou em resultados ainda parciais de suas pesquisas. Ocorre que essa estratégia pode não produzir uma contribuição efetiva para as áreas de conhecimento a que se destina ou podem denunciar o chamado processo de “fatiamento” das pesquisas.

Um artigo científico pode registrar uma pesquisa que já tem anterioridades e não necessariamente ter conteúdos no estado da arte da ciência de sua área, mas é fundamental que haja uma contribuição específica e completamente abordada.

2. Repetir no currículo as palavras-chave originais do artigo

Uma vez concluído o artigo (e, preferencialmente, publicado), é hora de registrá-lo em sistemas de informação, especialmente no currículo Lattes de seus autores.

Em produções coletivas um erro bastante comum está no cadastro das palavras-chave nos currículos dos autores. Mas afinal, não se trata de simplesmente copiar as palavras-chave usadas no artigo no Lattes?

Justamente esse é o erro mais comum. Os currículos Lattes não são registros de produção intelectual e sim de trajetórias curriculares. As palavras-chave publicadas não refletem as contribuições individuais dos autores e sim os termos que mais se aproximam do conteúdo final de cada um dos artigos científicos.

No Lattes, o que deve ser registrado não são os termos que identificam o artigo na revista em que foi publicado, mas sim a contribuição específica que o autor do currículo deu àquele artigo. Com isso, os sistemas de busca vão poder encontrá-lo mesmo se a sua contribuição não esteja entre os indexadores do artigo.

Isto é válido para todos os itens de produção intelectual (livros, capítulos, trabalhos em eventos, produção técnica e produção artística): o mais indicado no registro desses itens é colocar as palavras-chave que caracterizam a contribuição específica do autor do currículo e não a palavra-chave de identificação do item original, que teve uma participação coletiva.

Com isso, o autor do currículo registra sua contribuição específica e, na soma, estará construindo a sua própria trajetória de competências. Essa construção cuidadosa pode ser importante para o autor ser encontrado pelas consultas à Plataforma Lattes.

3. Confundir o tipo de artigo

Algumas vezes os professores e pesquisadores com uma grande carga de produção técnico-científica “terceirizam” a atualização de seus currículos Lattes.

Nestas situações, a atualização pode ficar por conta de pessoas não familiarizadas com os vários tipos de produtos das atividades técnico-cientificas e acadêmicas. Podem confundir os registros de artigos científicos com artigos de divulgação ou difusão de CT&I, como é o caso de artigos em colunas de revistas ou jornais.

Quando isto ocorre, a troca ou deixa de valorizar o currículo do pesquisador (quando artigo científico é cadastrado como de revista de circulação) ou, até mesmo, pode pôr o currículo do autor sob suspeita de supervalorização de seus dados (no caso contrário).

Já ocorreram casos em que professores foram desclassificados em concursos públicos por erros semelhantes (considerados tentativa de fraude). Portanto, é importante ter cuidado com o enquadramento correto dos registros dos currículos na taxonomia do currículo Lattes.

4. Registrar o que ainda não foi publicado

O currículo Lattes permite registrar artigos em revistas científicas tanto já publicados como ainda em processo de publicação (i.e., aceitos). Há autores que assim que recebem a notícia do aceite de seu trabalho, registram o artigo em seus currículos, mas não indicando se tratar de um trabalho aceito.

Caso neste interim o currículo seja consultado e confrontado com buscas nas revistas, o registro do que ainda não foi publicado pode, novamente, causar constrangimentos, por parecer registro de publicação inexistente.

5. Registrar apenas as informações básicas

No currículo Lattes, artigos e todos os itens de produção intelectual têm 8 (oito) módulos de registro de informações: Detalhamento, Autores, Palavras-chave, Áreas, Setores, Outras informações e Tradução. Por vezes, os autores costumam registrar apenas as partes obrigatórias que fazem parte do que identifica os artigos científicos nas suas respectivas revistas, ou seja, os três primeiros módulos – Detalhamento, Autores e Palavras-chave.

Contudo, ao deixar de registrar as áreas (especialidades) do conhecimento e os setores de atividade que contextualizam o artigo seus autores deixam de torná-lo referenciado em um tipo de busca comum quando se procura produção intelectual por contexto científico (área) ou de aplicação potencial (setor). Além disso, se o campo com Outras Informações for utilizado para o registro do resumo do artigo, será ainda mais fácil encontrá-lo em buscas futuras. Portanto, é importante registrar além das informações básicas.

 

 

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